A cidade rachou, literalmente, ao meio. Entre os pouco mais de 3,6 mil palestinos que foram às urnas, 1.869 votaram pela reeleição de Lane e 1.868 no seu adversário, Júnior Alcântara, do PMDB, um voto apenas de diferença. Em termos percentuais, Lane teve 50,01% dos votos e Júnior 49,99. Pequenina e pobre, Palestina tem apenas 12 seções eleitorais, onde ocorreram ainda 28 votos brancos e 112 nulos. O percentual de abstenção foi de 6,47%, deixando de votar exatamente 226 eleitores.
Residente em São Paulo, o jovem Ecledson Silva Lisboa, primo da prefeita, veio à Palestina especialmente para votar, como faz em toda eleição. “Quem sabe, não foi este voto”, diz a prefeita reeleita, adiantando que o seu candidato à vice também teve um parente residente em Curitiba que veio votar. Seja lá de quem tenha partido o voto minerva, o fato é que fez a diferença e a alegria da família Cabudo, que saiu às ruas para comemorar depois de uma apuração que deixou todo mundo com os nervos à flor da pele.
“Nunca tinha passado em minha vida por igual experiência. Aqui, o resultado só foi conhecido na apuração da última urna”, diz a prefeita. Emocionada, mas ao mesmo tempo preocupada em ter que administrar uma cidade literalmente rachada ao meio, Lane agora até ri e se diverte com as versões dos moradores. “Todo mundo quer ser o dono do último voto. O Pandeirinho disse: agradeça sua eleição a mim. Agora, a senhora está em minhas mãos”, afirmou.
Na Câmara, a prefeita construiu a maioria com a vantagem de apenas um vereador. A coligação que apoiou a sua reeleição elegeu cinco dos nove vereadores. O mais votado, Nah Ferrari, do PMDB, de oposição à prefeita, teve 258 votos e o último a conquistar uma cadeira, Lenilson, do DEM, e aliado das forças governistas, obteve 178 votos. Com um vereador a mais, a prefeita vai garantir a eleição do próximo presidente da Câmara também por a diferença de um voto.
VERSÕES PARA O VOTO
“Quem comprou voto aqui, na verdade, foi a prefeita”, rebate o parlamentar. Ele se refere ao poderio de quem manda de fato na família de Lane: o seu marido Toninho Cabudo, duas vezes prefeito. “Ele é tão poderoso, que mesmo preso, ainda elegeu a mulher pela primeira vez”, diz José Pereira, um morador da cidade, referindo-se ao processo que Toninho respondeu por suposto desvio de dinheiro destinado à merenda escolar quando prefeito do município pela última vez.
Servidora concursada da Prefeitura, Lane confessa que foi forçada a entrar na política por causa do marido, que, segundo ela, ficou desgostoso com tudo que aconteceu e não quis mais se candidatar a nada. Ela chegou à reeleição depois de um processo extremamente complicado. Candidata em 2012 perdeu por 212 votos para Beto Barbosa, do PMDB, ligado à família Alcântara.
Mas Beto não teve sua votação reconhecida pela justiça eleitoral porque o seu então candidato a vice, na época, renunciou na véspera. Quando encontrou outro nome, no cartório eleitoral já não havia mais prazo para o registro. Diante disso, ocorreu uma eleição suplementar, mas só em dezembro de 2013, tendo Lane vencido e assumido em abril de 2014. “Ganhei o pleito suplementar por 74 votos”, ressalta.
Fonte do Blog do Magno Martins.
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