O ex-presidente Lula com Fidel Castro e o religioso Frei Betto, em Bogotá, na Colômbia, em setembro de 2003. ALEJANDRO ERNESTO EFE
Como foi possível que o regime castrista resistisse por tanto tempo? Hoje, a pergunta ganha um sentido ainda maior
El País - Joaquín Roy,
No final do século passado, já superada a desintegração da União Soviética, ao voltar os olhos para esse canto do Caribe ocupado por Cuba, os observadores internacionais faziam uma pergunta obrigatória: como era possível que o regime castrista resistisse por tanto tempo? Hoje, com a morte de Fidel Castro aos 90 anos, a pergunta ganha um sentido ainda maior, assim como é intrigante a marca deixada na América Latina pelo sistema que Castro fundou.
Naquela época, eu fazia frequentemente essa pergunta a numerosos especialistas nos dois lados do Atlântico. David Thomas, um diplomata britânico que serviu em Havana, ofereceu a resposta na forma de um ranking das razões para a sobrevivência do castrismo. As análises procedentes da Pérfida Albion, de fato, não são confiáveis quando estão misturadas aos seus interesses particulares, mas, pelo contrário, quando o assunto não faz diferença para eles, convém prestar a devida atenção aos seus diagnósticos, pois geralmente acertam na mosca.
Sirva de exemplo a grande escola de historiadores ingleses que ofereceram obras clássicas sobre a Espanha, e os que se dedicaram a pedaços específicos da América Latina. Outro Thomas, sir Hugh, caso emblemático, é autor de livros de história até hoje insuperáveis sobre a Guerra Civil Espanhola e a história de Cuba.
O embaixador Thomas respondeu com a seguinte lista: 1) A Revolução Cubana era, originalmente, made in Cuba, e não imposta pelos tanques soviéticos; em suma, um produto nativo; 2) A personalidade do líder, irrepetível, insubstituível, sem sucedâneo no panorama histórico latino-americano; 3) O papel dos EUA (e, dentro dos EUA, o contraproducente papel do exílio) em “ajudar” a revolução ao apresentar uma política errática durante quase 40 anos àquela altura (agora, quase 60); e 4) A contribuição do subsídio soviético em apenas três décadas. Note-se, por um lado, a importância concedida à culpa da política de Washington. Por outro, observe-se que, enquanto o rastro do papel soviético desapareceu completamente e é hoje um mero acidente histórico, rejeitado por milhões de cubanos, as duas razões primitivas da sobrevivência do castrismo continuam incólumes.
Fonte do Blog do Magno Martins.
Nenhum comentário:
Postar um comentário