A invasão do plenário da Câmara melou a manobra de deputados interessados na aprovação do projeto que anistia, de forma explícita, o político que praticou caixa dois de campanha. A ideia era aprovar a proposta na comissão especial e levá-la a votação ontem (16). Tudo caminhava de forma rápida e na surdina.
Antes do apagar das luzes, no entanto, um grupo de delinquentes passou pela presidência da Câmara, ensaiou a invasão, parou em frente aos seguranças do plenário, entoou hinos de guerra e arrombou a porta de vidro, que foi estilhaçada antes de os manifestantes arrombarem a tribuna.
Prevalecendo a sorrateira manobra, que une partidos de diferentes matizes, PT, PCdoB, PP, PMDB, DEM, PSDB, as regras de caixa dois só valem a partir da vigência da nova lei. Quem cometeu o crime antes da aprovação do projeto, não será punido.
O texto original, relatado pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), tipifica o crime de caixa dois, com pena de até dez anos de prisão, mas não prevê explicitamente anistia a quem cometeu a prática antes da aprovação do projeto. De acordo com os defensores da anistia, se a prática foi criminalizada, é porque antes não era crime.
Na opinião do deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), suas excelências trabalham para aprovar a anistia em votação esvaziada, com o pretexto de que foram pegos de surpresa. O jogo está combinado. Foi adiado apenas por causa da arruaça na Câmara.
Máquina pública inchada – Os funcionários públicos continuam reclamando da proposta que cria o teto dos gastos públicos, em discussão no Senado. No entanto, o Palácio do Planalto usa dados com o pagamento de salários e encargos sociais para mostrar o peso da máquina. Em outubro, de R$ 280,7 bilhões autorizados pelo Orçamento, foram empenhados R$ 248,5 bilhões, 88,5% desse grupo de despesa, e efetivamente pagos R$ 217,0 bilhões, equivalente a 77,3%. Em relação aos dados de outubro de 2015 (R$ 199,6 bilhões), os pagamentos cresceram 8,7% em 2016. Há motivos de sobra para o teto de gastos.
Intervenção é inconstitucional – O pedido de intervenção militar defendido por delinquentes que invadiram, quebraram vidraças e subiram na mesa do plenário da Câmara é vetado pelo artigo 142 da Constituição Federal. Segundo o texto, as Forças Armadas “são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. Na Câmara, não faltou político querendo faturar com a invasão.
Renan no subterrâneo – Derrotado em municípios importantes em Alagoas, seu curral eleitoral, o presidente do Senado, Renan Calheiros, pode degustar o amargor do baixo clero da política, em 2018. Com a possibilidade de seis candidatos competitivos para a eleição do Senado, Renan confidencia a aliados a hipótese de concorrer a uma vaga de deputado federal. Tudo o que o peemedebista almeja é a manutenção do foro privilegiado. Renan responde a 12 processos no Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Lava Jato. O fim da regalia o levaria direto para as mãos do juiz federal Sérgio Moro.
CURTAS
Ironia do destino – A prisão do ex-governador do Rio de Janeiro Antonhy Garotinho tem dose extra de ironia. A deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ), filha do detido, foi uma das maiores defensoras da cassação do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, preso pela Operação Lava Jato. Não faltou oportunidade em que ela o chamou de bandido.
Á flor da pele – Delação premiada sempre deixa os políticos nervosos, em Brasília. Não seria diferente com o acordo de leniência assinado pela empreiteira Andrade Gutierrez com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para investigar cartel na licitação para a concessão da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Vem nova bomba por aí.
Perguntar não ofende – Quem autorizou a entrada dos baderneiros que invadiram a Câmara pedindo intervenção militar?
Com Informações do Blog do Magno Martins.
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