Fã de carteirinha de Jackie Chan, ator oriental especialista em artes marciais e do cantor Michael Jackson, Jacky Leone caiu na graça facilmente do povo de São Caetano por ter feito uma campanha bem-humorada para quebrar preconceitos. Além de dançar imitando o maior ícone negro de todos os tempos da música americana e se inspirar nos heroísmo de ação do Kung Fu, principal estilo de Jackie Chan, Leone usou, principalmente, a bandeira do combate à corrupção.
“Para varrer a corrupção, vote no homem da vassoura”, este virou o seu slogan de campanha, associando ao instrumento de uma profissão que abraçou por falta de oportunidades de melhores empregos na cidade. Como gari, Jacky trabalhou até abril deste ano. Casado, pai de três filhos, embolsava um salário de R$ 1,1 mil, já incluído o extra para varrer o lixo nos dias de feira. Mora num bairro periférico num casebre pertencente a sua mulher, que é viúva e desempregada, dependente de pensão.
No seu Facebook, apresenta-se como ator, artista, representante oficial da arte e cultura de São Caetano. Também como gari, coletor de lixo da sociedade na empresa Prefeitura de São Caetano e colhedor de tomates na empresa Zona Rural, além de entregador de pizza. Natural de Caruaru, cidade vizinha, mora em São Caetano desde garoto, sendo seguido por 658 amigos em sua principal página nas redes sociais, onde foca suas imagens em peças teatrais e nas ruas, divertindo amigos e fãs.
Para ele, a discriminação do PTB se deu pelo fato de ser gari. “Eu não tenho nenhuma dúvida disso”, afirmou. Mas o PSDB, especialmente o prefeito eleito, o recebeu de braços abertos. “As urnas deram o recado e baniram o preconceito”, ressalta o vereador, referindo-se à acachapante derrota sofrida pelo prefeito Doutor Neves. Abertas as urnas, Jadiel, que na eleição passada foi patrono da candidatura de Neves, teve 13.130 votos, 57,04% dos votos válidos, ante 9.071 votos (39,41%) do prefeito-adversário.
O plano de Deus
Como varredor de rua, a rotina de Jacky não era fácil. Cumpria dois expedientes, com intervalo de apenas uma hora para o almoço. Numa cidade em que o lixo não é incinerado, jogado num enorme descampado a céu aberto, ele passou a se familiarizar com a colônia dos catadores de lixo, que levam uma vida de cão, procurando material reciclável para venda. Na sexta-feira passada, acompanhei o vereador numa visita ao local, onde foi recebido com muita festa, verdadeiro pop star.
Entre abraços, fotos e gritos de guerra “É Jacky”, os catadores foram, aos poucos, revelando os segredos que levaram o amigo a ser o vereador mais votado do município. “Ele é um amor de pessoa, um ator sensacional, um pai de família exemplar, um amigo para todas as horas”, disse João Evangelista, um dos cabos eleitorais do gari-vereador.
A opção de deixar a empresa em que trabalhava como gari, em abril deste ano, foi do próprio Jacky, que chegou a indicar um dos catadores amigos para o seu lugar, mas sem sucesso. “Eu fui a Jacky e disse: rapaz, como você joga um emprego desse fora. Indica-me para o seu te lugar. Ele trabalhou por isso, mas não deu certo. E sabe o que ele me respondeu, que nunca esqueci? Deus tem um plano para a minha vida”, disse Esmeraldo Manoel.
“O plano era o mandato de vereador”, comemora Jacky, que seguiu fielmente o preceito de que a vida não muda de plano se não passar por longas e silenciosas metamorfoses. “Aprenda a gostar, mas gostar mesmo, das coisas que deve fazer e das pessoas que o cercam. Em pouco tempo descobrirá que a vida é muito boa e que você é uma pessoa querida por todos”, ensina o agora parlamentar.
“Quando tomar posse quero abrir a discussão de instalar uma usina de lixo na cidade, acabar o lixão e criar uma cooperativa para os catadores”, adianta ele, que tem também a preocupação de, como artista, fortalecer o movimento cultural de São Caetano. São Caetano abriga o Museu Histórico, com do vasto conteúdo do município e um acervo cultural e histórico sobre o Sertão nordestino, Agreste e Zona da Mata, apresentando o estilo de vida dos sertanejos.
O visitante pode encontrar material sobre a Guerra de Canudos, Antônio Conselheiro, Luiz Gonzaga, Padre Cícero, o poeta José Marcolino, Patativa do Assaré, Zumbi dos Palmares, além de amplo histórico sobre o cangaço brasileiro, inclusive com vídeos originais da rotina do cangaceiro Lampião e seu bando. O rico acervo rendeu ao museu o título de segundo maior museu de história do Sertão no Brasil, perdendo apenas para o Museu do Homem do Nordeste, no Recife. Recentemente, participou da Feira dos Municípios no Parque do Cordeiro, no Recife, sendo premiado como a maior atração do evento. O museu de São Caetano é, hoje, uma larga fonte de conhecimento para trabalhos escolares e estudos dos mais diversos tipos. Diariamente recebe turmas de escolas, faculdades, turistas e moradores da cidade.
É rico ainda em objetos e artefatos que fizeram e fazem parte da história do Município desde a sua fundação até os dias de hoje. Além das fotografias, documentários, fitas de vídeo, etc. Muitas peças históricas vindas de outras cidades do Estado, que contribuem para a história, além dos documentários escritos, muitas literaturas do passado e literaturas atuais, muitas reportagens e documentários em vídeo, estão à mostra. Além disso, objetos históricos, como um despaldador de café que era usado nas décadas passadas, quando a cidade de São Caetano já contribuía muito para o crescimento do Estado através dos seus cafezais, estão expostos.
Fonte do Blog do Magno Martins.
Nenhum comentário:
Postar um comentário