Dedicado ao transporte de passageiros em moto desde os 19 anos, Zequinha mora num bairro pobre da cidade, o Loteamento Vitória, onde, com muito esforço, acabou de construir sua própria casa depois de morar por muito tempo, já casado, com dois filhos, na casa de sua mãe na vila do Amparo, uma das áreas mais populosas e miseráveis da periferia. Sua história de vida tem um capitulo doloroso.
Não conheceu o pai, assassinado quando sua mãe Lucinha Amália Cruz, 62 anos, estava grávida dele. “Minha mãe foi também um pai para mim”, desabafa, com os olhos lacrimejados, adiantando ser produto de uma relação extraconjugal. É a dona Lucinha, entretanto, que Zequinha pretende dar total assistência ao longo dos próximos quatro anos, com a sua mudança de patamar econômico. Hoje, como moto-taxista e mais um “bico” que o prefeito Elias Lira (PSD), a quem é ligado, arranjou, tem uma renda mensal de R$ 1,5 mil.
Em apenas um mês, quando tomar posse em 1 de janeiro do próximo ano, irá embolsar praticamente o valor correspondente a um ano de muito trabalho em cima de uma moto: o subsídio de vereador do município pulou de R$ 6,5 mil para R$ 10 mil. “Não quero mudar de vida sozinho, vou ajudar o povo pobre que me elegeu e terei uma atenção especial com minha mãe, a razão da minha vida”, ressalta.
Quando se refere à divisão do bolo com os seus mais próximos, Zequinha se reporta ao trabalho social que já faz e que pesou muito na sua eleição: o transporte de doentes para os hospitais do Recife quando os casos não podem ser resolvidos em Vitória. Além da moto em que trabalhou até abril deste ano, ele possui um velho Fiat, que usa como se fosse de fato uma ambulância.
“Ele é uma pessoa de um coração muito bom e mereceu ser eleito”, reconhece o também moto taxista Wellington da Silva, 36 anos, que faz ponto no mesmo local do agora vereador eleito. Segundo ele, Zequinha é um profissional dedicado ao trabalho, humilde e pobre. ”Votei nele”, acrescenta. Para Wellington, a votação do colega não foi maior porque a categoria em sua cidade é desunida.
Em Vitória de Santo Antão, uma das cidades que mais lucraram com a duplicação da BR-232, tendo uma verdadeira explosão social e econômica, estando hoje com uma população de 135 mil habitantes, o transporte de moto taxista ainda não está totalmente regularizado. Segundo dados não oficiais, dos 5,5 mil profissionais que vivem da atividade, apenas 2,5 mil estariam trabalhando amparados pelo decreto assinado pelo prefeito.
Esta é uma discussão que deve ser levantada na Câmara de Vereadores pelo próprio Zequinha. “Vou batalhar por melhorias para a nossa categoria”, promete. Entre as suas preocupações, a segurança pública. “Nossa profissão é muito arriscada e Vitória tem sido uma cidade bastante perigosa para trabalhar, porque os índices de violência têm crescido muito. Vez por outra, um colega nosso tomba morto”, desabafa.
Na política, Zequinha relata que ingressou pelas mãos do ex-prefeito Ivo Queiroz, a quem considera o verdadeiro pai que não teve na vida. “Ele fez tudo por mim, desde os 13 anos quando me conheceu”, diz. Depois de ver o marido se frustrar em duas eleições seguidas, a doméstica Maria das Neves, que ajuda a reforçar a renda familiar fazendo faxina na casa dos mais abastados, afirma que ainda não está acreditando que o marido virou uma autoridade. “A ficha ainda não caiu”, resume.
HISTÓRIA
A ocupação das terras integrantes do município de Vitória de Santo Antão se deu no século XVII, época quando os lavradores e criadores se fixaram no vale do Tapacurá. A formação municipal teve início com a chegada do português Diogo Braga, oriundo da Ilha de Santo Antão, no Arquipélago de Cabo Verde, no ano de 1626, quando se estabeleceu nas terras com o intuito de desenvolver atividades agropastoris.
Chegou a ser elevada à condição de cidade, tendo nessa altura o seu nome mudado para Cidade da Vitória, em homenagem à batalha do Monte das Tabocas. Com um polo industrial em ascensão, tem, hoje, como destaque, a Industrial de Vidros, pertencente ao grupo Owens-Illinois, a Sadia, detentora de uma fatia considerável do mercado brasileiro de produtos derivados de animais, a Destilaria JB, grande produtora de álcool e açúcar, a Isoeste, grande fabricante de telhas térmicas do País e, por fim, sua maior marca, a Pitú, conhecida internacionalmente pela aguardente que produz.
Destacam-se, ainda, a Kraft Foods, segunda maior no segmento de alimentos no mundo, por produzir os Sucos Tang, Fresh e Maguary, chocolates da Lacta, fermentado em Pó Royal, entre outros. Outros empreendimentos são frutos da cultura canavieira que caracteriza a agricultura e, consequentemente, influencia a indústria na Zona da Mata pernambucana, entre usinas e engenhos.
Fonte do Blog do Magno Martins.
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