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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Apuração tensa, repercussão e herança maldita

CARIÚS (CE) - Durante a apuração da eleição, voto a voto em Cariús, os candidatos roíam as unhas, quando aparecia um voto na frente às torcidas de ambos os lados reagiam soltando fogos, mas foi preciso ter coração de ferro para esperar o resultado, que só saiu por volta das 22 horas. Atrasou exatamente por causa do empate. A juíza Yane Alencar teve que recontar por duas vezes para ter a certeza de que os eleitores haviam se dividido literalmente ao meio. O empate rendeu até uma auditoria, cujo resultado, divulgado na semana passado, confirmou o resultado oficial.
Em sua casa, acompanhando urna por uma, Iran pedia calma aos aliados e eleitores. Quando todas as urnas foram computadas, Iran não gostou do empate, mas respirou aliviado. “Sabia que o desempate era pela idade. E já sabia que era mais velho que ele. A gente foi criado junto”, conta, referindo-se ao fato de Nizo, o seu adversário ser também do distrito de São Sebastião e amigo. "Por causa da política, a gente foi se afastando", descreve.
Em São Sebastião, o concorrente levou vantagem, mas Iran atribui à derrota ao fato de Nizo ter sido candidato a deputado estadual na eleição passada e lançado sua candidatura antes. Mesmo amigos e “criados juntos”, como disse o tucano, a temperatura esquentou em São Sebastião. “Fiquei a reta final da campanha sem ir por lá, porque da última vez fui vítima de um atentado”, relata Iran, referindo-se ao registro de uma ocorrência policial que prestou por um carro de campanha ter sido alvejado de balas.
Vereadora mais votada em Cariús, Edna Elma (PMN), esposa do vereador Lirone Pereira, que teve quatro mandatos, tem uma explicação na ponta da língua para o empate. “Os dois candidatos eram conceituados e Iran, mesmo apoiado pelo prefeito, bastante desgastado, soube fazer uma campanha na qual prevaleceu o julgamento dos eleitores à sua pessoa, respeitada e admirada por todos por ser um comerciante bem-sucedido”, afirma.
Ex-vereador por cinco mandatos, tendo sido escolhido vice de Nizo e depois renunciado por força de um processo que responde de improbidade administrativa quando presidente da Câmara, José Clébio de Souza, substituído na composição da chapa pela esposa Tica Barros, afirma que Cariús assistiu a um clássico nas urnas. “Eu já esperava uma eleição apertada, mas confesso que o empate foi surpreendente”, diz.
Opositor ferrenho ao grupo político que está no poder, Clébio culpa o prefeito pelo descaso da cidade. “Aqui, estamos perdendo tudo, até o cartório eleitoral e a delegacia foram fechados”, afirma, atribuindo os casos à má gestão de Gilvan. “O prefeito tirou muito voto de Iran, que é um comerciante respeitado na cidade, mas também pesaram as candidaturas que tentaram a chamada terceira via”, observou.
De fato, Cariús tem problemas crônicos. No hospital, falta tudo, principalmente medicamentos. Na zona rural, atingida por uma das secas mais longevas do século, a paisagem ainda é dominada por casebres de taipa e dois km do centro da cidade um lixão aberto é uma ameaça à saúde pública. “O prefeito não dá a menor bola para isso aqui, que é o nosso ganha pão”, diz “seu” Chico, que cata material reciclável com a esposa Dora há mais de dez anos no local. Para ele, a situação vai continuar do mesmo jeito porque o futuro prefeito é do mesmo grupo do atual.
Já falando como futuro gestor, Iran Fernandes projeta uma atenção maior para três áreas: saúde, educação e esporte. A luta deve ser por um hospital para o município, investir mais nas escolas, salário dos professores e transporte escolar. "Sobre esporte, aqui não temos nenhuma quadra coberta, nenhum campo. Poucos distritos tem campo de poeira. Aqui morrem mais jovens que idosos, por conta das bebidas e das drogas", critica.
Para acrescentar: "Eles deixam de praticar esporte e vão para os bares. Antes o transporte era bicicleta, hoje é moto. Todo jovem tem moto e bebe. Muitos pais perderam os filhos por causa disso". Iran brinca dizendo que virou celebridade por ter dado entrevistas a vários veículos de comunicação do País pelo ineditismo do resultado da eleição em sua terra.
Em outras sete cidades, a eleição foi decidida por apenas um voto: Pescaria Brava (SC), Aral Moreira (MS), Serranos (MG), Caseiros (RS), Bom Sucesso de Itararé (SP), Barra do Ouro (TO) e Palestina (AL). Já em outras quatro cidades, também houve um empate, mas por outro motivo: como todos os candidatos estão indeferidos com recurso, eles aparecem com os votos zerados. A definição se dará na Justiça Eleitoral.
Fonte do Blog do Magno Martins.

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