CATOLÉ DO ROCHA (PB)- Localizada no alto sertão paraibano, a 411 km de João Pessoa, Catolé do Rocha, com cerca de 30 mil habitantes, até então era conhecida como berço do cantor Chico César, que ganhou o mundo com o seu talento musical. Depois das eleições, a cidade se “projetou” nacionalmente por ter elegido um vereador na cadeia. Ubiraci Rocha, o Bira Rocha (PPS), saiu das urnas com 948 dos 17.478 votos válidos, sendo o sexto entre os 11 paramentares mais votados do município. Ele não teve direito a fazer campanha, porque a prisão se deu em maio deste ano, dois meses antes das convenções partidárias.
O detento, quando assumir a vaga, irá compor a base aliada do prefeito reeleito Leomar Benício Maia (PTB). Com 40 anos, Bira tem o sobrenome do clã que deu origem ao município, com DNA Rocha. “Nossa família tem tradição histórica na política de Catolé desde o nosso bisavô, um dos fundadores da cidade”, orgulha-se Francisco Rocha, o Chico Rosa, um dos 22 irmãos do vereador-presidiário eleito.
A família é extensa, segundo ele, porque o pai era namorador. “Os 23 irmãos são de cinco mulheres que o velho teve”, explica Chico. Da enorme prole, seis estavam no fórum de Catolé do Rocha na última quarta-feira, acompanhando uma audiência sobre o processo do irmão. Acusado de pistolagem, tráfico de armas e drogas, o vereador foi preso no dia 9 de maio realizando transações bancárias numa agência de João Pessoa durante uma operação do Grupo de Operações Especiais (GOE), da Polícia Militar da Paraíba.
Estrela é um dos mais famosos criminalistas da Paraíba, com larga e respeitosa experiência na política. Foi prefeito de Sousa, a cidade mais importante da região, um dos maiores colégios eleitorais do sertão do Estado, por três mandatos e sua filha, que também milita na política, já foi eleita vice-prefeita do município, estando hoje sem cargo eletivo. Após tantos anos na vida partidária e como gestor público voltou a percorrer os corredores do Poder Judiciário no mesmo ofício que o projetou na política.
Ele espera que o vereador seja solto em breve, sem passar por júri popular, porque sua prisão, segundo ele, não se sustenta. “Perdida no caso, a Polícia não comprova o envolvimento de Bira em nenhum dos crimes aos quais é acusado, sustentando a prisão apenas em suposições”, afirma o advogado. Entre os crimes em que é citado como mandante, o processo que está mais avançado diz respeito ao assassinato de João Alisson, ocorrido em Catolé do Rocha.
Também constam mais duas suspeitas de que o vereador eleito esteja envolvido nos crimes de Daniel Docinho e de dona Joelma, mãe de Alisson. “A polícia não tem uma só prova de que Bira seja mandante de crimes ou traficantes de armas e drogas”, acrescenta João Estrela, que aposta na liberdade do vereador até a sua posse, em 1 de janeiro. Se até lá isso não ocorrer, o parlamentar pode exercer o mandato da prisão.
Já o secretário de Segurança Pública da Paraíba, Cláudio Lima, disse entender que o poder Legislativo deve aprovar leis para impedir que situações como esta aconteçam nas eleições. “Isso nos preocupa. Não podemos aceitar que o crime entre na política. Tem que ser o contrário”, afirmou.
Responsável pela prisão, o delegado Allan Murilo Terruel disse, na época, que foi uma ação importante para a região, porque o suspeito era temido e causava terror nas pessoas. “É ainda uma prisão sensível, por se tratar de um pistoleiro”, relatou após recolher o então candidato ao xadrez atendendo a um mandado de prisão temporária.
Fonte do Blog do Magno Martins.
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