ARARUNA (PB) – Senador da República com mandato renovado nas eleições de 2014, José Targino Maranhão (PMDB), que governou a Paraíba em três oportunidades, também dominava com mão de ferro Araruna, a sua terra natal, há 40 anos. O reinado chegou ao fim nas eleições deste ano por um velho adversário. O advogado Vital Costa, prefeito eleito pelo PP, tirou o clã do poder depois de disputar a Prefeitura pela quarta vez. Se somadas as três eleições proporcionais que perdeu também para deputado, Costa, na verdade, estava nesta luta há sete pleitos seguidos.
Em 2004, quase se elege prefeito. Perdeu por pouco mais de 1% dos votos para Availdo Azevedo, do PSB, apoiado pelo grupo Targino Maranhão. O socialista teve 50,96% dos votos contra 49,04% dele. Enfrentando em 2012 a mesma adversária que agora derrotou, Vital perdeu por uma diferença bem maior: 44,5% a 34,77% dos votos válidos. Mas como “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, foi à desforra no pleito de outubro passado e, finalmente, venceu a primeira batalha.
Nas ruas, o povo comemorou com samba, carnaval e até axé baiano. Era a certeza de que os Maranhão começavam a ser banidos e Wilma Maranhão, irmã do ex-governador e mãe do deputado federal Benjamim Maranhão (PMDB) e da ex-deputada estadual Olenka Maranhão (PMDB), carimbava sua aposentadoria como prefeita imposta pelo povo. “Não foi fácil derrotar um grupo tão forte, liderado por um ex-governador no exercício do seu segundo mandato de senador, mas, enfim, a população despertou”, traduz Costa.
Para ele, o sentimento de mudança imperou e Araruna se libertou. “Eles governaram durante décadas a Prefeitura com mão de ferro, sem diálogo e um modelo administrativo ultrapassado. Nossa gestão será transparente e democrática com permanente diálogo com a população de Araruna, diferente do que observamos nos últimos 40 anos em que o município teve que conviver com um governo único”, afirmou.
Para por abaixo a dinastia, que não conseguiu nas outras seis seguidas tentativas, Vital Costa desequilibrou o jogo atraindo o apoio do ex-prefeito Availdo Azevedo (PSB), para quem havia perdido em 2004. Também trouxe para a sua coligação o vice-prefeito Iran Motos, presidente municipal do PSL e considerado velho aliado dos Maranhão. Agregou, ainda, vereadores insatisfeitos e até parentes próximos da prefeita que não engoliram a escolha do seu candidato, Luiz Azevedo do Nascimento, o Lulinha, derrotado por uma frente de 1.443 votos.
Abertas as urnas, Vital obteve 5.860 votos (57.02%) contra 4.417 votos (42,98%). Em 51 seções, 492 eleitores anularam o voto e 198 votaram em branco. Dos 11 vereadores, a coligação majoritária vitoriosa elegeu seis, entre os quais o novato Caio Ludgerio (SD), terceiro mais votado, com 848 votos, que já teve toda a sua família no palanque da prefeita em eleições passadas.
Casado com uma irmã do senador José Maranhão, o médico João Bosco Teixeira foi um dos que se rebelaram na família, apoiando a candidatura do prefeito eleito. “Não concordei com a escolha do candidato e achei que havia chegado a hora de dar uma oportunidade a um político tão preparado”, justifica, para acrescentar: “A nossa terra carece de uma administração voltada para o progresso e para o desenvolvimento. Araruna é um celeiro de grandes homens, tem um marco histórico na história da Paraíba. Precisa de pessoas que realmente estejam compromissadas com o progresso e o desenvolvimento, como Vital”.
Wilma Maranhão, que está fazendo uma discreta e lenta transição, é acusada pela oposição de deixar um leque de obras inacabadas, a maior delas a Vila Olímpica e um calçadão ao lado, investimentos que, juntos, superam a cifra de R$ 4 milhões e que vinham sendo tocadas com verbas da Caixa Econômica Federal. Com vocação turística, devido ao seu clima e sua posição geográfica montanhosa, Araruna vive, hoje, um caos administrativo, na expressão do prefeito eleito.
Fonte do Blog do Magno Martins.
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