Para os romanos, um poeta ("vate") tinha dons divinos, entre eles o de prever o futuro - "vaticínio". Parece que tinham razão: um monumental poeta brasileiro, falecido num final de novembro há 320 anos, é o autor de Mortal Loucura) - poema que, com música de José Miguel Wisnik, na voz de Maria Bethania, foi a trilha sonora de Velho Chico. Até isso ele previu!
A loucura começa pelo presidente da República, que considera "um fatozinho" a pressão de um ministro para obrigar outro a desconsiderar uma lei para poder construir um apartamento em Salvador. Continua pelo Congresso, que tenta votar disfarçadamente uma anistia imoral, bem quando todo mundo está prestando atenção; e culmina com promotores da Lava Jato ameaçando renunciar se a lei anticorrupção que sugeriram (e que é discutível) não for aprovada do jeito que querem. "Quem do mundo a mortal loucura... cura", diz o poeta.
Os procuradores não podem renunciar a uma investigação, a menos que se demitam. É o trabalho para o qual foram designados, ponto. Empenhar-se menos seria fazer o jogo de quem quer escapar das investigações - que não ficariam tristes se os procuradores renunciassem à Lava Jato. E não é função de procuradores, por mais razão que tenham, dar ordens ao Congresso e ao presidente da República.
Agora entram no Supremo cerca de 80 delações da Odebrecht. Quando haverá denúncias e julgamentos? "Será no fim dessa jornada... nada".
Fonte do Blog do Magno Martins.
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