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sábado, 18 de fevereiro de 2017

Coluna do sabadão

     Ciclo bom não se encerra
Faltando uma semana para o Carnaval, o governador Paulo Câmara (PSB) trocou, ontem, os comandantes da Polícia Militar e da Polícia Civil. Embora tenha pegado muita gente de surpresa, alegou procedimento de rotina, com a ressalva de que ambos haviam já cumprido um ciclo. A versão oficial é fantasiosa. Quando um ciclo se cumpre bem, nunca tem fim, especialmente na área pública.
Os comandantes Carlos D´Albuquerque (PM) e Antônio Barros (Polícia Civil) caem justamente em meio a uma ameaça de operação tartaruga durante a maior festa popular do planeta, fruto de um processo de negociação do soldo da PM muito mal resolvido. A Assembleia Legislativa aprovou a mensagem do Governo estabelecendo os novos patamares salariais da categoria, mas não foi suficiente para estancar a crise de relação com a polícia.
Ciclo bom, volto a bater na tecla, não se esgota. Se se esgotou, provavelmente não foi bom. Sendo ruim, obrigou, naturalmente, o governador a procurar caminhos alternativos para tentar superar a maior crise do seu Governo. Nunca Pernambuco alcançou patamares tão preocupantes nas taxas de homicídios, assaltos a bancos, a ônibus e ao próprio cidadão indefeso.
Em 2016, segundo ano da gestão de Câmara, o Estado registrou 4.458 homicídios. Foi o ano mais violento desde 2009. Andar pelas ruas do Recife, nos últimos dias, é algo muito arriscado, porque a criminalidade disparou, os policiais rareiam nos pontos de maior concentração da bandidagem. O ano está apenas começando e se registram 58 homicídios num fim de semana, como na semana que passou.
O Carnaval bate à porta e os novos comandantes – a sociedade espera - devem ser bastante experientes para traçar um competente esquema de segurança para o Carnaval. No início da semana, um vídeo chocou a sociedade. Em frente à Assembleia, após a aprovação do reajuste que os soldados não queriam, eles se concentraram num ato empunhando a palavra de ordem “Não vai ter Galo”.
Era uma advertência ao Governo de que o maior bloco de Carnaval do planeta não iria às ruas porque eles, os policiais, não estariam nas ruas para dar segurança aos foliões. A Polícia Militar é proibida de fazer greve, reza a Constituição brasileira. Existe, entretanto, uma chamada “Operação padrão”, pela qual os policia vão às ruas de mentirinha, ou seja, fazem de conta que trabalham, mas não estão nem aí para dar segurança à população.
MUDANÇA– O governador Paulo Câmara (PSB) dá posse, na próxima segunda-feira, aos novos comandantes da PM e da Polícia Civil. O atual comandante do Estado-Maior da PMPE, coronel André Cavalcanti, assume o subcomando da corporação e troca de posição com o coronel Adalberto Freitas, que passa a chefiar o Estado-Maior da Polícia Militar. Na Polícia Civil, o chefe-adjunto será o delegado Charles Gutiergues. O Estado vem registrando números crescentes de violência. Os dois comandantes das corporações vinham enfrentando pressão das entidades que representam os policiais civis e militares desde o ano passado.
Bancando R$ 30 mil por dia– Em entrevista, ontem, ao Frente a Frente, o presidente do Detran, Charles Ribeiro, estranhou a rebeldia da direção do Sindicato dos Servidores da instituição, Alexandre Bulhões, em manter a greve, mesmo tendo a justiça decretado a sua ilegalidade. O enfrentamento judicial rende uma multa diária de R$ 30 mil ao Sindicato. Bulhões, que insiste em manter a tropa de braços cruzados, deve administrar um sindicato que nada, literalmente, em dinheiro.
A razão da negativa– O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Velloso, recusou o convite para assumir o cargo de ministro da Justiça. Não quis abandonar o escritório de advocacia que mantém em Brasília. Em conversas reservadas, Velloso demonstrou angústia nestes últimos dias porque gostaria de atender ao pedido de Temer. Na conversa com o presidente, o ex-presidente do STF agradeceu o convite e disse que ficou honrado com a lembrança de seu nome. Mas Velloso argumentou ao presidente que teria de fechar o escritório. Isso porque tem contratos de dedicação exclusiva com alguns clientes.
Ações para Igarassu– O prefeito de Igarassu, Mário Ricardo (PTB), se derramou em elogios, ontem, a Armando Monteiro Neto (PTB), durante visita do senador ao município. Enfatizou que a gestão municipal tem encontrado no senador líder do POTB no Senado um dos pilares para alavancar obras e ações em Igarassu. "O mandato de Armando tem nos dado todo o suporte necessário para irmos aos ministérios em busca de investimentos para Igarassu. Todo esse trabalho em benefício do nosso Estado dá orgulho a todos os pernambucanos", afirmou.
Carnaval gordo em Garanhuns– O prefeito de Garanhuns, Izaias Régis (PTB), antecipou o pagamento dos servidores antes do Carnaval. Não é a primeira vez que isso ocorre. Antes do Natal e do Festival de Inverno o trabalhista também atendeu ao pleito dos servidores, liberando também o 13º, a cada ano pago de forma antecipada em dois períodos distintos. Os pagamentos iniciam na próxima terça-feira contemplando os aposentados e pensionistas. Na quarta-feira, será a vez dos servidores da Educação, na quinta-feira Administração e demais secretarias, encerrando todos os pagamentos na próxima sexta-feira com os servidores da Saúde. A medida possibilitará aos servidores aproveitarem o carnaval com dinheiro no bolso.


CURTAS
SUDENE– Durante encontro na Esplanada dos Ministérios, o superintendente da Sudene, Marcelo Neves, e o coordenador-geral de Normas, Planejamento e Fiscalização do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Leonardo Santana, debateram alternativas para destravar as Zonas de Processamento de Exportação do Nordeste. O evento foi prestigiado também pelo presidente da Associação Brasileira de Zonas de Processamento de Exportação, Helson Braga.
REDUÇÃO DE MULTAS– O presidente Michel Temer encaminhou ao Congresso um projeto de lei que elimina gradualmente a multa adicional paga atualmente pelas empresas quando demitem um funcionário sem justa causa. A mensagem de envio do texto para  o Congresso foi publicada, ontem, no "Diário Oficial da União".
Perguntar não ofende: Será que pesou apenas o fator econômico para Carlos Veloso se negar a ser ministro da Justiça? 
Fonte do Blog do Magno Martins.

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