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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Coluna da quinta-feira

     Ratos e prisões 
Nesse festival de horrores que a televisão apresenta todos os dias, por conta das atividades da Odebrecht, o primeiro prêmio vai para os parlamentares aquinhoados com propina por terem aprovado medidas provisórias favorecendo a empreiteira. Vale o mesmo para a votação de projetos de lei. O ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho afirmou em seu acordo de delação premiada que a construtora pagou R$ 7 milhões a parlamentares de destaque no Senado e na Câmara para garantir a aprovação de uma medida provisória de interesse da companhia no Congresso.
Os recursos, segundo o executivo, foram destinados aos senadores Romero Jucá (PMDB-RR), Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), favorito para suceder Renan na presidência da Casa em 2017, Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, e Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA). De acordo com delator, Jucá, Renan e Eunício formam o que ele classifica de "grupo dominante do PMDB no Senado". "Esse fato dá a esse núcleo grande poder de barganha, pois possui a capacidade de praticamente ditar os rumos que algumas matérias serão conduzidas dentro do Senado", afirmou Melo Filho.
Quer dizer, na Câmara e no Senado existem ratos que votaram legislação beneficiando negócios escusos, recebendo milhões pelos serviços prestados. Valeria à pena o Governo identificar que medidas provisórias e que leis foram editadas dentro desse modelo. Não só para revogá-los, mas, em especial, para obter o ressarcimento do roubo. Seria bom, também, identificar os líderes dos partidos comprometidos com a tramitação dos projetos fajutos.
O grave nessa substituição das obrigações parlamentares por dirigentes empresariais é que muitos deputados e senadores aprovaram sem saber a origem e os interesses daquilo que votaram. Alguns imaginaram estar prestando favores ao governo. Outros sequer cogitaram saber por quê. Os bandidos, porém, não se esqueceram de cobrar pelos votos. As investigações começaram a chegar aos governos estaduais. São de estarrecer. Também não escapam as prefeituras. Ninguém se espante se alguém gritar: “Teje todo mundo preso!”
CAIXAS ALIVIADOS– Enfim, a Câmara dos Deputados aprovou, na terça-feira passada, o texto-base do projeto que trata da recuperação fiscal dos estados endividados. A medida foi aprovada com 301 votos a favor, 127 contra e 7 abstenções. Faltam votar ainda os destaques à proposta, previstos para a sessão de ontem. O Projeto de Lei Complementar (PLP) 343/17 permite que estados com alto endividamento e problemas de caixa tenham o pagamento da dívida com a União suspenso por três anos, desde que atendam a um ajuste fiscal. Após esse período, os estados voltam a quitar seus débitos, mas ainda com parcelas reduzidas.
Mandacaru fulorado– Chamado de mandacaru pela deputada Teresa Leitão (PT), numa rádio, ontem, em Garanhuns, o secretário estadual de Transportes, Sebastião Oliveira, reagiu com bom humor às provocações da petista, que não gostou da dura nota do auxiliar do governador tachando a bancada de oposição de mentirosa. Com a ressalva de que era amigo da parlamentar, Sebastião respondeu a cutucada com um verso: “Sou um mandacaru fulorado/Desse torrão esturricado/Do meu sertão arretado/Que quando recebe água fica feliz com chão molhado/ É tanta sede que fico emocionado”.
Sem piso e greve– Os professores da Rede Municipal de ensino de Caruaru cobram da prefeita Raquel Lyra (PSDB) uma série de direitos não cumpridos com a categoria, dentre eles o pagamento do piso nacional. Além das negociações na estaca zero, a Prefeitura não paga, como manda a lei, o Piso Nacional da categoria, assim como não dialoga. Por quase toda a manhã de ontem, muitos professores permaneceram no hall da sede da Prefeitura em protesto contra o silêncio da gestão. Outro ponto destacado na manifestação foi à falta de diálogo na Mesa de Negociação para revisão do polêmico PCC da categoria. No final da manifestação, o Sindicato dos Profissionais em Educação anunciou que os professores decidiram entrar em estado de greve nos próximos 30 dias.
Cinquentenário – Do prefeito Geraldo Júlio (PSB) em discurso nas comemorações dos 50 anos do voo da TAP do Recife para Lisboa: “Eu quero agradecer a TAP pelo que ela vem realizando nestes 50 anos, que não é pouca coisa. São 50 anos, sem interrupção, desta ligação do Recife com a Europa, através de Portugal. Uma empresa jovem à época, com 22 anos, que tomou uma decisão importante e hoje é muito madura com 72 anos. Desde então, a TAP já tinha uma disposição de olhar para o futuro”. O prefeito lembrou ainda da parceria entre a Prefeitura do Recife, o Governo de Pernambuco e a empresa para promover o turismo do Estado para os seus passageiros.
João Carlos tira o chapéu para o blog– Recebi, ontem, de próprio punho, do empresário João Carlos Paes Mendonça, presidente do Grupo JCPM, ao qual é integrado o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, uma carinhosa e atenciosa mensagem de congratulações pela passagem do 11º aniversário deste blog: “Prezado Magno Martins, parabéns pela passagem dos 11 anos de atividade do seu blog. A homenagem feita pela Assembleia Legislativa é mais do que justa para uma pessoa que vive a notícia 24 horas por dia. Abraços, João Carlos Paes Mendonça”.
CURTAS
DISCRIÇÃO– Embora tenha feito na presença dos deputados da oposição um discurso duro em cima do Governo e do próprio governador Paulo Câmara, durante audiência em seu gabinete, o prefeito de Garanhuns, Izaias Régis (PTB), não acompanhou a agenda da caravana parlamentar oposicionista ao longo do dia, que incluiu visita a obras paradas, a projetos inacabados e reuniões com vereadores. Só apareceu depois na plenária popular, no início da noite.
TEM BOI NA LINHA – Dentre as denúncias mais graves que os deputados receberam, ontem, no circuito Garanhuns, a que mais chamou atenção foi a que chegou, por escrito, ao deputado Álvaro Porto (PSD) durante visita ao hospital regional Dom Moura. Partiu de servidores terceirizados, que, segundo eles, foram obrigados a assinar documento de pagamento de salários referentes ao período de seis meses, quando, na verdade, só embolsaram três meses.
Perguntar não ofende: Para onde foram os outros três meses de salário dos servidores terceirizados do hospital Dom Moura, em Garanhuns? 

Fonte do Blog do Magno Martins.

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