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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Temer aperta o torniquete

Blog do Noblat
O presidente Michel Temer reuniu-se, ontem à noite, na casa do presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ), em Brasília, e avisou ao alto comando político do seu governo e a quem mais interessasse: já cedeu o que podia na reforma da Previdência.
Doravante, cobrará dos partidos que apoiam o governo o voto fechado para aprovar a reforma, se possível, ainda neste semestre. Ou o mais tardar no início do próximo.
Quem votar contra a reforma, advertiu Temer, estará votando contra o governo. Para bom entendedor, isso significa que o presidente está disposto a retaliar partidos e parlamentares que o deixarem na mão no momento em que mais ele precisará deles.
E como fará isso? Não precisou dizer. Todos sabem. Cargos, acesso facilitado à liberação de recursos públicos e outros favores são moedas de troca na política. É dando que se recebe. Pune-se tomando o que foi dado.
Além de Maia, ouviram Temer o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB­CE), o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e os ministros Raul Jungmann (PPS-PE), da Defesa, Mendonça Filho (DEM-PE), da Educação, Bruno Araújo (PP-PE), de Cidades e Antonio Imbassahy (PSDB-BA), da Secretaria de Governo.
Jungmann adiantou-se a dizer que os oito deputados federais do PPS votarão em bloco a favor da reforma.
Na semana passada, pressionado por deputados e senadores, o governo recuou em cinco pontos polêmicos do projeto da reforma da Previdência. A saber: regra de transição para o novo sistema; regras para aposentadoria do trabalhador rural; regime especial para professores e policiais; benefícios de prestação continuada, e tópicos relacionados a pensões.
Com isso, o governo deixará de economizar entre R$ 112 bilhões e R$ 160 bilhões nos próximos dez anos.
É na aprovação da reforma da Previdência que o governo joga seu futuro. Se ela acontecer, abrirá espaço para outras reformas, como a trabalhista e a tributária, por exemplo. E também para um final de mandato menos atribulado.
Se a reforma da Previdência não passar no Congresso, adeus ao sonho de Temer de ser reconhecido um dia como o presidente que tirou o país do buraco da mais profunda recessão econômica de sua história.
No início de 2015, poucos meses depois de ter sido reeleita, a então presidente Dilma Rousseff afinal descobriu que seu mandato corria sério risco. Aconselhada por Lula, para quem ela apelou em desespero? Para Temer.
Convidou-o para assumir a coordenação política do governo. Temer aceitou o convite de bom grado. Mas foi sabotado por Dilma que jamais confiou nele. Não confiava em ninguém. Deu no que deu.
Temer é educado e tem fama de bonzinho. Mas sabe ser mau como um pica-pau. Quem duvidar que vá conferir.
Fonte do Blog do Magno Martins.

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