O início da tramitação da denúncia contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara revelou um cenário de incerteza e preocupação para o Palácio do Planalto. Aliados admitem que o Governo terá dificuldades para alcançar maioria simples no colegiado, cujo parecer será posteriormente votado pelo plenário. Temer, diante disso, assumiu pessoalmente a negociação e nos últimos dois dias recebeu ao menos 48 deputados no Planalto.
Antes do embarque, ontem, para a Alemanha, onde participa da reunião do G-20, Temer intensificou o corpo a corpo. Na quarta-feira passada, convocou uma reunião de última hora e pediu que os ministros se mobilizem no Congresso para defender o Governo e mantenham uma agenda positiva. Em encontro no Planalto com 22 representantes de ministérios, Temer fez sua defesa.
Entre os temas abordados, segundo relatos de presentes, estavam críticas ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e comentários sobre a indicação do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ) para a relatoria da denúncia na CCJ. Zveiter é considerado uma “incógnita” por auxiliares do Planalto.
Na quarta-feira, o presidente entregou à Câmara dos Deputados sua defesa contra a denúncia. A CCJ da Câmara é formada por 66 parlamentares e são necessários ao menos 34 votos para a aprovação de um relatório favorável ou rejeição de um parecer desfavorável ao presidente – que foi acusado de corrupção passiva pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Placar do jornal O Estado de São Paulo sobre as declarações de votos dos integrantes da comissão mostra que os deputados da base ainda resistem a anunciar apoio ao presidente. Até a conclusão desta edição, apenas seis parlamentares governistas afirmaram que vão votar contra a admissibilidade da denúncia na CCJ. Por outro lado, já são 17 deputados favoráveis à aceitação da acusação.
Zveiter manteve suspense sobre que posição vai adotar em seu parecer que deve ser apresentado na próxima segunda-feira, 12. O relator escolhido pelo presidente da comissão, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), prometeu ser “independente”. Na avaliação de governistas, a eventual aprovação de um parecer que peça a aceitação da denúncia pode ter um efeito cascata na votação no plenário – é necessário o mínimo de 172 votos para que seja recusada a autorização para que o Supremo Tribunal Federal julgue a acusação formal contra o presidente.
LAVA JATO– A força-tarefa da Operação Lava Jato na Polícia Federal do Paraná foi oficialmente desmembrada pelo órgão. A Superintendência Regional da PF no Estado divulgou uma nota na tarde de ontem informando que os delegados que se dedicavam exclusivamente aos trabalhos da Lava Jato e da Operação Carne Fraca passam agora a atuar também em outros casos na Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas (Delecor). A Polícia Federal garante que a medida não vai acabar com as investigações da Lava Jato. "A medida visa priorizar ainda mais as investigações de maior potencial de dano ao erário, uma vez que permite o aumento do efetivo especializado no combate à corrupção e lavagem de dinheiro e facilita o intercâmbio de informações", informa a nota.
A posição de Jarbas–
A decisão do deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB), de votar pela aprovação da investigação do presidente Temer, antecipação por este blog, teve repercussão nacional. "Em toda minha vida pública eu fui a favor de que se investiguem denúncias graves, que é o caso. Sou do partido do presidente, mas voto com minha consciência. Por isso voto para que se prossiga a investigação, e defesa e acusação possam se colocar com propriedade", disse. Jarbas está na Argentina deste ontem, acompanhando a comitiva do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Apesar de toda pressão do Planalto para convencer aliados, o deputado tem dito que sua posição é irreversível. Jarbas condena a posição do Planalto de liberar emendas no momento em que necessita de, pelo menos, 172 votos de deputados para barrar a denúncia na Câmara. Considerou que essa prática está incorporada, "infelizmente", na política brasileira e que Temer "vem utilizando do mesmo expediente", quando deveria combater.
Cobrança ao Governo– O senador Humberto Costa cobrou, ontem, que o Governo Temer impeça, imediatamente, a ideia do ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), de construir uma fábrica de hemoderivados em Maringá (PR), reduto eleitoral do ministro, o que pode implicar no fim da Hemobrás Humberto, investimento de mais de R$ 1 bilhão, sem agora prioridade para o Governo. “A bancada do Estado decidiu, em reunião, de forma unânime, ir até o ministro para defender a fábrica pernambucana, que gera empregos e renda ao nosso povo. Queremos saber qual o objetivo da construção de uma unidade no Sul do País e a quais interesses essa movimentação atende”, afirmou.
De olho na crise - Diante da agenda apertada e da necessidade de voltar logo para Brasília a fim de comandar pessoalmente as negociações com o objetivo de barrar a denúncia contra ele na Câmara, o presidente Michel Temer viajou para a Alemanha em um avião 767 da Força Aérea Brasileira (FAB). Essa aeronave tem maior autonomia de voo e não precisa fazer escalas para chegar ou voltar de Hamburgo, na Alemanha, onde o presidente participará do encontro dos líderes do G20. Se usasse o avião presidencial, Temer teria de pousar nas Ilhas Canárias, tanto na ida quanto na volta. O avião maior consome o dobro do combustível, mas permite seguir diretamente ao destino. O objetivo de Temer é estar de volta a Brasília amanhã.
A vez do PP–
O ministro Edson Fachin, do STF, liberou para julgamento a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra políticos do PP no âmbito da Operação Lava Jato. Segundo a PGR, empresas ligadas à Odebrecht usaram contas internacionais para fazer pagamento de propina ao partido, cujo principal beneficiário era o ex-deputado João Pizzolatti (SC). Além de Pizzolatti, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ofereceu denúncia contra outros seis políticos do PP: os deputados federais Arthur Lira (AL), Mário Negromonte Júnior (BA), Luiz Fernando Faria (MG), José Otávio Germano (RS), Roberto Britto (BA) e o ex-deputado Mário Negromonte (BA). De acordo com Janot, a Braskem, braço petroquímico do grupo Odebrecht, efetuou quatro transferências que beneficiaram Pizzolatti entre 2009 e 2010 para que a construtora fosse favorecida em contratos de aquisição de nafta celebrados com a Petrobrás.
CURTAS
COM LULA – Na passagem por Brasília, o prefeito de Serra Talhada, Luciano Duque, teve um encontro com o ex-presidente Lula. “Nunca vi alguém tão animada e otimista”, afirmou, referindo-se ao processo do triplex que aguarda a sentença do juiz Sérgio Moro. Duque disse que Lula quis saber dele quando iria recebê-lo em Serra Talhada. “É só marcar a data para eu encomendar o bode”, brincou o prefeito.
FANTASMA– O delegado federal Victor Hugo Rodrigues Alves, da Operação Papel Fantasma, afirmou, ontem, que houve um ‘assalto’ aos servidores públicos vinculados a Institutos de Previdência Municipais de pelo menos oito cidades. A Polícia Federal investiga, na Papel Fantasma deflagrada pela manhã de ontem, fraudes de ‘centenas de milhões de reais’ nas previdências municipais.
Perguntar não ofende: Qual a bomba que a revista Veja vai trazer neste fim de semana?
Fonte do Blog do Magno Martins.
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