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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Coluna da quarta-feira

Recebi com profundo pesar a notícia da morte do jornalista Meuse Nogueira, 70 anos, do Diário de Pernambuco. Faz muito tempo que perdi o contato com ele, mas Meuse, de texto brilhante e impecável, faz parte da minha vida por um detalhe muito especial: foi o primeiro jornalista que conheci no Recife. Matuto vindo do Sertão, puxando a cachorrinha, como se diz no meu Pajeú, bati de frente com Meuse por acaso num barzinho chamado “No Meio do Mundo”, bairro das Graças, se não me falha a memória.
Boêmio contido, bom de prosa e discreto, Meuse puxou de repente uma conversa extremamente envolvente sobre jornalismo ao saber que eu estava ingressando no curso. Ele falava tão bem quanto escrevia, muitas vezes derivando para a sua veia poética. Decorei seu nome e só mais tarde soube que se tratava de um dos redatores da primeira página do velho DP. E tomei a liberdade de procurá-lo na redação, que funcionava na charmosa, agitada e romântica Praça da Independência.
Numa tarde serena, depois de criar coragem – eu era muito tímido e bem amatutado – fui até à redação ao encontro de Meuse. Ele me recebeu com um cigarro na mão e um copinho descartável de café na outra mão. Não consigo esquecer esses detalhes, porque que nunca havia entrado numa redação de um jornal. E naquela época, início dos anos 80, o DP era uma grife, como é até hoje. Não é por acaso que tem a marca do mais antigo em circulação na América Latina.
Meuse perguntou se eu gostaria de ser correspondente do DP em Afogados da Ingazeira, minha terra natal, mesmo sabendo que já estudava Jornalismo no Recife. Com o meu sim de felicidade me apresentou a Gildson Oliveira, que Deus o chamou antes dele. Três dias depois, vi nas páginas do DP minha primeira matéria assinada como correspondente de Afogados da Ingazeira.
Como posso esquecer Meuse? Ele passou na minha vida como um rio de felicidade, abriu um raio de luz para iluminar meu caminho. Foi um grande companheiro, leal, correto.  O tempo às vezes é alheio à nossa vontade, mas só o que é bom, como ele, dura tempo o bastante pra se tornar inesquecível. Fiquei muito tempo sem vê-lo. Na verdade, nem sabia que ele ainda pertencia aos quadros do DP.
Tenho impressão, ou quase certeza, que ele se orgulhava muito de ter sido o meu primeiro padrinho. O tempo deixa perguntas, mostra respostas, esclarece dúvidas, mas acima de tudo, o tempo traz verdades. E essas verdades, quando nos tocam profundamente, a gente tem que compartilhar.
Aprendi com o avançar da vida que a gente deve estar sempre olhando para o retrovisor. O que ficou para trás, pelo qual nos espelhamos para o tempo do presente e do futuro, é o tempo de reconhecimento. Coisas boas o tempo não destrói. Cora Coralina dizia que estamos todos matriculados na escola da vida, onde o mestre é o tempo. O tempo passou, me afastou forçadamente de Meuse.
Fica só a saudade e a gratidão. Não diz o poeta que a saudade eterniza a presença de quem se foi? Poderia ter dedicado mais tempo ao grande amigo, mas o tempo é implacável, rouba oportunidades e nos maltrata. Resta o consolo e a certeza de que naquele encontro com Meuse ele queria me ajudar, porque sabia que eu, o tempo todo olhando para o céu, enxergava muitas estrelas, mas muito poucas quando comparadas com todos os meus sonhos que ele ajudou a realizá-los.
REAÇÃO A JANOT– Diante da expectativa de uma segunda denúncia da Procuradoria Geral da República, o presidente Michel Temer já passou a discutir com aliados as estratégias para derrotar a nova acusação de Rodrigo Janot na Câmara. Isso porque, assim como na denúncia por corrupção passiva, o Supremo Tribunal Federal só poderá analisar a eventual nova denúncia se a Câmara autorizar. Na frente jurídica, Temer escalou novamente o advogado Antônio Claudio Mariz para esvaziar o movimento de Rodrigo Janot. Mariz, por exemplo, já pediu a suspeição de Janot ao Supremo Tribunal Federal.
Delação de CorrêaO ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), homologou a delação premiada do ex-deputado federal Pedro Corrêa. A delação, que ainda tem o conteúdo sob segredo de Justiça, é fruto de um acordo entre Corrêa e o Ministério Público Federal. O acordo prevê redução de pena em troca de o ex-deputado, que já foi presidente do PP, entregar tudo o que sabe sobre o esquema de corrupção da Petrobras. Fachin enviou a delação para a Procuradoria Geral da República, que deverá agora decidir sobre quais pontos do depoimento do ex-deputado pedirá abertura de inquérito.
Sem vínculo oficial– Sobre a nota na coluna de ontem, informando que o candidato da chapa oposicionista à presidência do Sindicato dos Policiais Civis, George Neves, estava atrelado ao Governo, sua assessoria enviou a seguinte nota: “A história de George Neves, candidato de oposição nas eleições do Sinpol, é marcada pelo embate contra o Governo, em defesa dos policiais. Por isso, foi incentivado pela própria categoria a candidatar-se para livrar o sindicato do PSOL e de interesses para fins políticos, como trampolim eleitoral. George não possui vinculo partidário algum, tem grande experiência à frente da Associação dos Comissários de Polícia do Estado de Pernambuco e aceitou entrar na disputa representando a insatisfação das classes policiais”.
Uso de arma e reajuste– Um grupo de guardas municipais do Recife ocupou, na tarde de ontem, o nono andar do prédio da Prefeitura do Recife, onde funciona o gabinete do prefeito Geraldo Julio, no Cais do Apolo. O grupo, formado por cerca de 50 trabalhadores, promete permanecer no local até o final de uma reunião com uma comissão de negociação. Em greve de 24 horas, a categoria reivindica reajuste salarial e o direito de utilizar arma de fogo. Durante a madrugada, os trabalhadores fecharam os acessos a todos os parques e praças que vigiam no Recife.
Referência nacional – O presidente da Ordem dos Advogados de Sergipe, Henri Clay Andrade, desembarcou, ontem, no Recife, para conhecer de perto as inovações administrativas colocadas em prática pelo presidente da instituição em Pernambuco, Ronnie Duarte. Essas mudanças estruturantes têm resultado na otimização dos recursos e na eficiência da gestão, convertendo-se em uma referência para entidades de todo País, sendo também uma referência em Brasília. Por isso, a categoria já fala em convencer Ronnie para disputar a reeleição.
CURTAS
ALERTA FRANCÊS– Em conversa bem-humorada nos bastidores da Alepe, Álvaro Porto (PSD) comentou que o secretário de Planejamento, Marcio Stefanni, precisa alertar Francisco Papaléo a não viajar a Paris. "Se aqui no Recife, que é seguro, o secretário das Cidades teve o carro roubado, imagine o que não levariam dele na violenta capital francesa", disse, ironizando a declaração de Stefanni, para quem a cidade-luz é mais perigosa que o Recife.
REFORMA– Os deputados correm contra o tempo para aprovar ainda este ano uma profunda mudança no conjunto de normas que regem o modelo partidário/eleitoral em vigor no país. Entre os temas discutidos estão voto distrital misto, cláusula de barreira, mandato de cinco anos, fim das coligações, regras menos rigorosas para plebiscito e referendo, possibilidade de recall para cargos executivos e até mesmo mudanças no sistema de governo com a possibilidade de instituição do parlamentarismo.
Perguntar não ofende: O Governo vai conseguir barrar o novo pedido de investigação de Janot? 

Fonte do Blog do Magno Martins.

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