Maia só coloca Previdência em pauta se tiver votos
Sem querer correr o risco da reforma da Previdência não ser aprovada no Plenário da Câmara, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou, ontem, que só colocará a pauta em votação se houver certeza de que há o número de votos necessários para aprová-la.
Maia, porém, é um dos defensores de que o texto seja votado ainda este ano. Com tempo curto para votar antes do início do recesso parlamentar, que começa no dia 23 de dezembro, o governo pressiona lideranças partidárias e parlamentares para espremer os 308 votos necessários para a aprovação do texto, mas enfrenta resistência em partidos da base.
Antes, o presidente da Câmara não queria colocar a reforma em votação por causa do desgaste causado pelas votações das duas denúncias criminais contra Temer no segundo semestre. Ontem, mais otimista, Maia afirmou ter esperança de votar a matéria ainda em 2017 e disse que os partidos estão "engajados".
Segundo parlamentares ouvidos pela Folha, os deputados também esperam que se consolide um número de votos suficientes para se comprometerem com a reforma. "Eu já ouvi deputado dizendo 'podem contar comigo para ser o 308º voto', ou seja, eles querem votar se for aprovar", disse o líder do PSD, Marcos Montes (MG).
Ontem, o PMDB decidiu pelo fechamento de questão no assunto, o parlamentar que votar contra a aprovação da reforma pode sofrer punições e até ser expulso do partido. Definitivamente a pressão está grande para a aprovação das mudanças na aposentadoria.
Humberto critica “doação” de Temer à Prefeituras – O senador Humberto Costa (PT-PE) criticou, ontem, o presidente Michel Temer por condicionar o aumento do FPM à aprovação da reforma da Previdência. Em uma tentativa de aprovar a reforma ainda este ano, o Governo orientou aos prefeitos que pressionassem os deputados de suas bases a apoiarem as mudanças na aposentadoria, com a promessa de um repasse de R$ 3 bilhões ao município. Humberto chamou o ato chantagem.
AGU defende portaria do trabalho escravo – Em manifestação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu a portaria do trabalho escravo editada pelo governo Michel Temer, sob a alegação de que o texto – que acabou suspenso por decisão da ministra Rosa Weber – conferiu "maior clareza, objetividade e segurança jurídica". Em outubro, Rosa Weber atendeu a um pedido do partido Rede Sustentabilidade e concedeu uma liminar para suspender os efeitos da portaria do Ministério do Trabalho que flexibiliza as regras de combate ao trabalho escravo.
Estácio demite e recontrata 1,2 mil professores – O grupo Estácio confirmou que promoveu, no fim deste semestre, uma reorganização em sua base de docentes. Segundo nota divulgada ontem, o processo envolveu o desligamento de profissionais da área de ensino do grupo e o lançamento de um cadastro reserva de docentes para atender possíveis demandas nos próximos semestres, de acordo com as evoluções curriculares. Segundo informações que circulam na imprensa, a empresa estaria demitindo 1,2 mil professores e recontratando, em janeiro do ano que vem, outros 1,2 mil. Internamente, a Estácio teria justificado que os professores ganhavam uma remuneração acima do mercado.
CURTAS
TRAGÉDIA TAMARINEIRA – O médico da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Caxangá, responsável por atender João Victor Ribeiro de Oliveira Leal, de 25 anos – responsável por dirigir um Ford Fusion sob efeito de álcool, matar três pessoas e ferir gravemente outras duas – afirmou à Polícia Civil que o rapaz, mesmo embriagado, estava no seu nível máximo de consciência. A soma dos crimes cometidos por João Victor pode resultar em 70 anos de prisão.
HEMOPE – Com a proximidade das festas de fim de ano, a Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco (Hemope) pede ajuda da população para manter o estoque de sangue. Ontem, todos os sangues com fatores negativos (O-, A-, B- e AB-) estavam em estado crítico. Para doar sangue é preciso ter entre 16 e 69 anos, pesar mais de 50kg e estar saudável. Todos os doadores precisam apresentar um documento oficial com foto.
Perguntar não ofende – Somente o otimismo do Governo vai conseguir aprovar a reforma?
Do Magno Martins.
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