Ficou extasiada e, no meio dos abraços, uma alegria borrou a maquiagem, mas a deixou mais bonita que na passarela, porque o sorriso extravasou nos olhos e contagiou o corpo. "Como ela é linda!" - diziam - "e meiga", acrescentavam...
Wellida tinha um cuidado intenso com a pele e o corpo. Tinha sempre o cuidado de deixar tudo bonito, dos cabelos às unhas dos pés. E chamava a atenção porque após os 30, tinha se tornado mais bonita do que antes, parecia no auge.
Havia se casado duas vezes, mas atualmente residia em Caruaru, sozinha, e não tinha filhos. Um dia, sua fisionomia se transformou quando se deparou com seu cachorrinho morto, ela ficou sem entender, chorava: "Não acredito! Nick! Nick!", como ela tinha um carinho especial pelo seu pet.
A linda mulher, de uns dias pra cá, preferia o isolamento e nem parecia verdade, mas estava muito triste, mais triste do que todo mundo pensava. Ouvia todos os dias os melhores elogios, mas seu semblante contradizia...
Mantinha-se agradável e tratava a todos com a mesma ternura de sempre, mas lhe faltava algo, que ninguém sabia entender, que ela não sabia contar, ou se sabia o que era, não conseguia dizer. A perfeição do corpo havia cedido à tristeza...
Ontem, ela queria ficar sozinha, pediu que a irmã fosse embora, mas seu rosto estava estranho e a irmã não quis. O sábado à tarde, era seu desfile natural, o sábado à tarde... o dia que ela mais encantava, não foi escolha aleatória...
Ela não escolheria o dia mais lindo pra ser a tarde mais triste. Talvez uma tentativa de sobrepor a beleza que tinha à tristeza que sentia... Não há como explicar! Mas a sua imagem linda dos sábados à tarde, no meio da última dor do seu dia derradeiro, era o que ela queria nos deixar!
Texto de Clécio Dias
Welida Meira: * 30 de julho de 1992 + 14 de outubro de 2023 - era uma empresária e modelo santa-cruzense.

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