Cachê milionário de Wesley Safadão e gastos elevados em município em situação de emergência reacendem discussão sobre gestão de recursos
A Prefeitura de Coxixola, localizada no Cariri paraibano, anunciou um investimento de R$ 2,5 milhões para as comemorações dos 32 anos de emancipação política da cidade, previstas para a próxima quarta-feira (29). O valor chama atenção não apenas pelo montante absoluto, mas também pela proporcionalidade: com uma população de 1.824 habitantes, o gasto equivale a cerca de R$ 1.410 por morador.
Do total, R$ 1,3 milhão será destinado ao cachê do cantor Wesley Safadão, principal atração do evento. Além disso, aproximadamente R$ 1,07 milhão foram reservados para a estrutura de palco, som e demais custos operacionais. Segundo levantamento do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), as contratações ocorreram por meio de dispensa de licitação.
O investimento ocorre em um contexto delicado: o município está sob decreto de emergência federal devido à estiagem, o que intensificou a repercussão negativa nas redes sociais e levantou questionamentos sobre a destinação dos recursos públicos.
Coxixola figura entre os municípios com menor Produto Interno Bruto (PIB) do país e enfrenta desafios históricos em áreas como infraestrutura básica e saneamento. Diante disso, a discrepância entre a realidade socioeconômica local e os gastos com festividades públicas tem sido alvo de críticas por parte da população e de especialistas em gestão pública.
Em resposta, a prefeitura defendeu a realização do evento, argumentando que a festa tem potencial para aquecer a economia local, gerar renda para comerciantes e atrair visitantes à cidade. A gestão municipal também afirmou que os investimentos em áreas essenciais, como saúde e educação, permanecem assegurados e não foram comprometidos.
O caso está sendo acompanhado pelo Ministério Público, que avalia possíveis irregularidades. Nos últimos anos, órgãos de controle têm intensificado a fiscalização sobre despesas com eventos artísticos, especialmente em municípios que enfrentam situações de calamidade ou apresentam baixos indicadores sociais.
A discussão em torno do episódio reforça um debate recorrente no país: o equilíbrio entre investimentos em cultura e entretenimento e a necessidade de priorizar serviços essenciais, sobretudo em cidades de pequeno porte e com recursos limitados
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