Uma relação contratual de aproximadamente R$ 1,1 milhão entre o Partido Socialista Brasileiro (PSB) e o instituto Quaest passou a levantar questionamentos no cenário político pernambucano. Os valores, segundo informações levantadas e divulgadas pelo jornalista Vicente Galdino, teriam sido pagos com recursos públicos para a realização de pesquisas relacionadas à eleição estadual de Pernambuco.
As contratações foram formalizadas diretamente entre João Campos, que assina os documentos na condição de presidente nacional do PSB, e o instituto de pesquisa, uma das empresas mais conhecidas do setor e responsável por levantamentos eleitorais divulgados frequentemente pela TV Globo.
A relação financeira entre as instituições trouxe à tona discussões sobre a necessidade de transparência e independência na realização dos levantamentos eleitorais, especialmente diante da importância das pesquisas para o acompanhamento da disputa pelo Governo de Pernambuco.
Diferenças nos números despertam questionamentos
Os resultados de levantamentos recentes sobre a corrida eleitoral pernambucana também passaram a ser alvo de questionamentos por apresentarem variações em relação a pesquisas de outros institutos e levantamentos internos de campanhas.
Um dos pontos destacados é a diferença entre os números da pesquisa espontânea e os cenários estimulados. Em determinado levantamento, a governadora Raquel Lyra aparece com vantagem na espontânea, mas essa diferença não se reproduz da mesma maneira nas simulações de primeiro e segundo turnos.
Na disputa pelo Senado, outro ponto mencionado envolve o desempenho de Mendonça Filho (PL), que teria registrado intenção de voto pelo menos cinco pontos percentuais abaixo da média observada em outros levantamentos e trackings internos.
Também é mencionada a quantidade de eleitores indecisos, considerada elevada pelos críticos dos levantamentos. Na avaliação apresentada, esse percentual permitiria oscilações entre candidatos de uma pesquisa para outra sem necessariamente representar transferência direta de votos.
É importante destacar que diferenças entre pesquisas podem ocorrer em razão de fatores metodológicos, período de coleta, composição da amostra e margem de erro, não constituindo, isoladamente, comprovação de irregularidade.
Transferências financeiras e cronologia dos pagamentos
De acordo com os dados divulgados, a Quaest teria sido contratada no final de 2025 para realizar pesquisas sobre a eleição estadual em Pernambuco.
Outro episódio citado envolve Felipe Nunes, responsável pelo instituto e conhecido por apresentar análises eleitorais na GloboNews. Em 12 de julho, ele teria anunciado publicamente o encerramento das atividades da Quaest vinculadas a candidatos específicos.
Dois dias depois, em 14 de julho, o PSB teria realizado uma transferência eletrônica de R$ 207.783,90 para o instituto, conforme os registros financeiros mencionados na reportagem.
Pagamentos atribuídos ao PSB à Quaest
Segundo os dados divulgados, as transferências foram realizadas nas seguintes datas:
- 1º de dezembro de 2025: R$ 112.253,98;
- 8 de janeiro de 2026: R$ 112.253,98;
- 6 de abril de 2026: R$ 234.625,00;
- 18 de junho de 2026: R$ 207.783,90;
- 7 de julho de 2026: R$ 234.625,00;
- 14 de julho de 2026: R$ 207.783,90.
Total informado: R$ 1.109.325,76.
Os dados foram atribuídos a registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conforme informações divulgadas pelo jornalista Vicente Galdino e reproduzidas em reportagem publicada nesta quarta-feira (30).
A relação contratual e os questionamentos apresentados reforçam o debate sobre transparência, prestação de contas e independência na produção de pesquisas eleitorais em Pernambuco.
Até que eventuais esclarecimentos sejam apresentados, os questionamentos sobre a relação financeira e os resultados dos levantamentos devem ser tratados como pontos de apuração, sem que isso represente comprovação de manipulação ou favorecimento eleitoral.

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